segunda-feira, 12 de julho de 2010

Parte 3


No dia seguinte Sabrina não aceitou a carona de Guilherme para ir ao colégio, mesmo ele tendo persistido ela não quis. Sabia que o caminho era longo o suficiente para ela conseguir imaginar como é que ela faria se o Nick fosse falar com ela no colégio. Provavelmente ele iria ser popular mais rápido do que qualquer outra pessoa, porque afinal ele era lindo, bem arrumado, tinha um perfume delicioso e era simpático. “Por que não?” pensou Sabrina “Porque ele não se tornaria popular com todas essas qualidades? Mas como é que ele irá falar comigo se eu não sou popular e ele esta um ano a frente de mim. Primeiros que as garotas não vão deixá-lo em paz um só segundo do intervalo ou no momento das trocas de aulas.” Assim fez durante todo o caminho, pensando como é que ela iria falar com o Nick.
Parou assim que chegou na entrada do gramado verde do colégio. Parecia normal, bom, não normal para ela, mas normal para o colégio. As pessoas estavam reunidas em grupinhos fofocando sobre assuntos da vida alheia sentados no gramado, nas escadas que davam na porta da frente do colégio ou nos bancos e mesas que se espalhavam lá fora.
Sabrina tomou coragem de ir até o seu suposto “grupinho” de amigas para saber o que tanto elas riam e conversavam. Assim que chegou perto Fabiana logo a incluiu na conversa.
- Sá, você já viu o menino novo?
- Qual menino?
- O cara mais bonito que já vi na minha vida. – disse a Violeta quase pulando de tanta animação.
- Mas quem é esse super deus que vocês estão falando?
Assim que terminou de falar um menino loiro, com mechas morenas no cabelo, olhos azuis, alto, forte e vestido igual a qualquer outro garoto normal da escola. Apareceu e para sua surpresa era ele.
- Aquele ali. – Fabiana apontou o dedo para o menino que logo se viu cercado de garotas e garotos querendo pegar a sua ficha completa. – Vamos!
Agora lá estavam Fabiana, Violeta, Joana e Diana tentando achar um espaço para poderem ver suposto deus de que todos falavam. Sabrina ainda não tinha percebido de quem todos falavam, pois estava entretida demais em seus próprios pensamentos. Assim ela ficou para olhando para a multidão, por uma fração de segundos Sabrina pode ver quem era. Nick.
- Nick? – Ela gritou tentando falar mais alto que a multidão enlouquecida.
- Sabrina! Você! – assim que ele pronunciou o seu nome todos se calaram e abriram passagem para que Sabrina fosse ao seu encontro. Ela estava constrangida de tantos olhares que se voltavam a ela, não gostava de chamar atenção, mas com ele por perto não haveria como. – Preciso falar com você. – todos imediatamente mudaram o foco de sua atenção para Nick. – A sós! – ele disse em um tom que desse a entender que todos fossem embora, mas não aconteceu. Isso só os deixou mais ansiosos para ouvir a conversa.
- Acho que o colégio não é um bom local. – murmurou Sabrina.
- Acho que é o local certo. Não tenho mais paciência de esperar para te perguntar.
Tanto Sabrina como todos os espectadores ficaram esperando a tal pergunta. Mas quando Nick abriu a boca para falar o som estridente do sinal tocou, agora uma “boiada” de alunos iam para dentro da escola o mais rápido possível para não perder a hora. Quando Sabrina conseguiu se mover e a andar uma mão forte agarrou seu pulso.
- Espere. – sussurrou Nick. – Isso é importante.
- Mas como vou explicar o meu atraso á professora?
- Diga que estava me ajudando a encontrar minhas salas.
- Certo.
Ela o seguiu colégio adentro até um local mais reservado, onde poderiam conversar em paz.
- Preciso saber em quanto tempo você consegue se sentir pronta para cumprir o seu dever.
- Eu já estou. Estou no colégio. – Disse Sabrina botando o peso na outra perna.
- Não estou falado desse dever. – Nick revirou os olhos.
- A! Sim esse dever. Só depois de terminarem as provas.
- Não tempo todo esse tempo. – disse ele impaciente. Essa era a primeira vez que o via impaciente. Não que o conhecesse a tempos, mas ele parecia uma pessoa que não perdia a paciência tão facilmente.
- Mas.
- Sem mas. – ele colocou seu dedo indicador nos lábios de Sabrina. Assim que isso ocorreu, Sabrina estremeceu e logo se afastou. Nick percebeu a reação dela. – Desculpe. Você não gosta. – ele abaixou os olhos.
- Não é isso. É que quando você me toca é como se. Como se. Como se eu alguma coisa passa se de você para mim. – Sabrina sabia exatamente o que era, era um tipo de conexão tão forte que ela sentia vontade de beijá-lo, mas isso não seria bom. Eles apenas se conheciam há um dia.
- Entendo.
- Realmente. – ela indagou surpresa.
- Sim, acontece isso também, mas é como se eu não conseguisse não te tocar. Alguma coisa.
- Crianças. – disse uma voz fina e estridente vinda do outro lado do corredor – O que fazem aqui? Já bateu o sinal. Andem, andem!
Era uma mulherzinha gordinha e baixinha, se vestia de vermelho da cabeça aos pés. Parecia mais uma maçã do que uma pessoa, isso veio direto em sua cabeça. Sabrina queria saber se Nick pensava o mesmo, mas não se arriscava em perguntar. Ele reparou na expressão estranha no rosto de Sabrina e se abaixou e cochichou em seu ouvido.
- Ela parece uma maçã ambulante não? – os dois riram baixinho do comentário.
Assim que Sabrina viu onde tinha que parar despediu-se dele e entrou na sala. A professora logo perguntou qual era o motivo da demora e Sabrina disse que havia acompanhado o novo aluno a classe dele. A professora a mandou sentar em uma carteira vazia no fundo da sala. Assim que passava pelas carteiras todos os olhares se voltavam a ela, como se fosse uma estrela. Sabrina não se sentia muito confortável com tanta atenção, diferente de muitas outras pessoas como Celina Golden, sempre fazendo gracinhas durante a aula, sempre andando com o nariz empinado e fazia questão que todos a notassem quando passava.

Agora as aulas antes do intervalo custavam a passar. Sabrina ficava repassando o que Nick estava querendo dizer com “é como se eu não conseguisse não te tocar.” Será que ele gostava tanto dela quanto ela gostava dele, mas porque havia tanta atração em relação aos dois sendo que eles apenas se conheciam a pouco tempo, quer dizer a um dia? E o que ele ia falar quando a mulher-maçã chegou? Ele ainda não havia falado para ela. Isso se instalava em seus pensamentos quase todas as aulas. Ela estava pensando nisso quando o professor de português a chamou.
- Querida, você poderia responder-me a questão? - ouvi uma voz de um menino soprando a resposta no meu ouvido. Que logo a reproduzi em voz alta para o professor. – muito bem senhorita.
O professor se virou para escrever algo na lousa quando bateu o sinal. Sabrina logo virou na direção em que a voz veio, a suas costas.
- Obrigada. – disse para o garoto sem perceber quem era.
- De nada Sá.
Ela olhou para o rosto do garoto. Taylor. Taylor, o garoto que havia se declarado a ela seis anos atrás. Ele estava consideravelmente diferente, os músculos dos braços eram mais visíveis, ele havia crescido uns 15 centímetros, devia estar com 1,80, seu cabelo estava todo espetado para cima, o que o deixava mais bonito.
- Você ficou mais bonito nesses últimos anos. – Comentou Sabrina.
- Obrigado, você também. - Logo Sabrina sentiu suas bochechas começarem a corar. – Quer almoçar comigo e meus amigos?- Acho que sim, só preciso falar com as garotas para se sentarem conosco. – Sabrina hesitou.
- Não há problema nenhum. Se for o que quer saber.
- Obrigada. – Ela abriu um meio sorriso, assim que chegou à porta, lembrou de Nick. E se virou bruscamente quase batendo em uma garota que tentava sair da sala. – Taylor. – ele se virou para ver quem o chamava. – O Nick pode se sentar conosco?
- Pode. – ele se virou e voltou a colocar as coisas dentro da mochila.
Ela reparou que ele não havia gostado da idéia, pois começará a jogar tudo dentro da mala. Achou engraçado como ele reagiu à pergunta, pelo jeito ele não deve ter parado de gostar dela durante esses seis anos. Assim que saiu da sala e se virou em direção ao seu armário viu Nick para ao lado de uns dos armários de seus novos amigos. Sabrina achava que aquilo era apenas uma conhecidência que muitas vezes acontecia no colégio então passou reto olhando para o chão e se contendo em não olhar para ele, mas não resistiu e virou a cabeça e logo encontros os olhos azuis da cor da pedra Déllo de seu colar, aqueles dois olhos a fitavam e sem querer ela parou no meio do corredor esperando que ele viesse em sua direção. E foi exatamente o que aconteceu.
- Sá. Espere! – disse Nick levantando uma das mãos.
Ela o olhou enquanto ele caminhava em sua direção.
- Nick. Você tem de fingir ser um garoto do terceiro e fingir que não é da – ela se aproximou do ouvido dele e cochichou. – Do Reino sei lá das quantas.
- Eu sei. Por isso vou almoçar com você.
- Certo, vamos almoçar com minhas amigas, Taylor e os amigos dele.
- Taylor me pareceu um pouco com ciúme de nós.
- Como assim de nós? – Sabrina franziu a testa fingindo não entender.
- Nós! – ele colocou seu braço em volta dos ombros dela e a puxou para que ficassem juntos.
- Nick. – ela olhou para o braço que a envolvia, e olhou para ele.
- Certo, sem contatos físicos. – ele tirou o braço – Desculpe.
Durante todo o intervalo ele dava um jeito de tocá-la, mesmo não percebendo. Taylor estava louco de ciúmes e às vezes um pouco satisfeito em ver que Sabrina não gostava que ele a tocasse.
Depois que o ultimo sinal tocou as pessoas saíram correndo da classe para chegarem o mais cedo possível em suas casas ou shoppings, menos Sabrina que não fazia questão nenhuma de sair correndo da escola, pois sabia que quando chegasse em casa tudo estaria exatamente igual a não ser pela companhia de Nick. Quando se encontraram na porta do colégio Nick não pensou em tocá-la novamente sabendo que isso poderia irritá-la.
Durante todo o percurso até a casa de Sabrina eles conversaram sobre a questão dela ser heroína e dele saber tanto dela. Ele disse que na cidade deles, as crianças aprendiam as lendas aprofundadamente, eles estudavam como os heróis ou heroínas eram, o que gostavam o que haviam feito em sua vida, seus relacionamentos e tudo mais. Quando Nick chegou na parte de relacionamentos o corpo de Sabrina automaticamente congelou, não gostava desse assunto. Logo ele percebeu isso e mudou de assunto tentando falar como fora o seu primeiro dia de aula nessa dimensão.
- Nick, então você esta dizendo que eu sou uma lenda no seu mundo?
- Sim, nosso tempo passa muito mais rápido do que o tempo aqui na terra.
- Portanto você deve ter mais de dezessete anos. Não?
- Sim, tenho.
- Quantos anos exatamente você tem.
- Bom. – ele parou um minuto para fazer as contas. – Em minha dimensão tenho 120 anos.
- Ual! – os olhos de Sabrina se arregalaram, nunca havia pensado que uma pessoa pudesse ter mais de 105 anos, no máximo. Mas se bem que ele não era um humano ele era. O que ele era? – A final, você não é humano.
- Não.
- Então o que é?
- Eu sou um Nunka.
- Certo – eles já estavam chegando á esquina da casa de Sabrina. Tinha que formular alguma pergunta rápido. – Como vocês nascem?
- Bom, é meio difícil de explicar. – ele hesitou por um momento mas viu o interesse estampado nos olhos de Sabrina, o que lhe deu força para tentar explicar. – Nós somos fruto de um amor.
- Como assim? – ela parou ao lado da escada que dava para a porta da frente do prédio de esquina onde ela morava.
- Bom, quando duas pessoas estão amando uma a outra, um Nunka nasce.
- Deixe-me ver se compreendi. – ela suspirou - Um Nunka é um amor que nasce entre duas pessoas? Então deve ter milhões de Nunkas. – Sabrina abriu um sorriso sarcástico.
- Não, o nascimento de um Nunka não é qualquer amor. Ele tem que ser correspondido igualmente, tem de ser um amor de um casal e tem que ser verdadeiro e puro. – ele abriu um sorriso enorme no rosto mostrando todos os dentes, brancos como a neve.
- Certo. Tenho que entrar para fazer a comida. – ela pegou a maçaneta para abrir, mas recuou e virou-se – Quer entrar?
- Não posso, tenho muito dever.
- Deus! Você esta parecendo um garoto de verdade. Não um Nunka!
- Mas não era esse o meu objetivo?
- Tanto faz. – disse ela dando de ombros.
Hesitando um pouco ela foi em direção ao Nick. E lhe deu um beijo na bochecha e um a braço, logo ela e Nick se abraçavam como namorados, eles estavam sorrindo. Não era qualquer sorriso, era um sorriso de duas crianças contentes e um sorriso sincero e sereno. Quando ela viu o que parecia, logo se distanciou e assim que isso aconteceu os dois pararam de sorrir como antes.

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