quinta-feira, 17 de junho de 2010

Parte2


- Você é a escolhida. Tem a pedra de Déllo. – ele apontou para o colar em seu pescoço.
Sabrina olhou o colar pelo espelhinho que estava ao seu lado. E quando olhou o colar lembrou-se imediatamente de sua falecida avó.
Aquele era um colar que ela a havia dado antes de morrer. Lembrou então das palavras que havia dito depois de dá-lo “guarde-o e nunca o tire, é o bem mais precioso que tenho. E o passo a você. Não esqueça que tem que aceitar ajudá-lo” e quando Sabrina perguntou quem ela deveria ajudar sua avó apenas respondera que saberia quando o visse pela primeira vez. Que ela teria um pressentimento a quem ela deveria ajudar. Depois disso ela nunca mais o tirou, todos os dias de sua vida prometera que ficaria sempre com o tal colar. Há cinco minutos não entendia o que significava as ultimas palavras ditas pela sua falecida avó.
- Escolhida para que?
- Para salvar o Reino da Terra. – ele a puxou mais uma vez.
- Não posso. – ela se fixou no chão, como uma pedra.
- Por quê? – ele parou e virou-se.
- Não quero deixar tudo para trás. – ela encontrou os olhos azuis dele, que fez suas pernas amolecerem e com que ela pensasse nas palavras de sua avó novamente. – Mas volte e daqui algum tempo eu vou.
- Não posso voltar sem você. – isso provocou um grande impacto nela.
- Por quê?
- Ou volto com você ou fico preso em seu mundo. E – ele parou para olhá-la, mas quando abriu a boca para falar não saíram nenhuma palavra apenas um suspiro.
Sabrina apoiou-se imediatamente em sua escrivaninha, colocou a mão no peito e tentou se acalmar. Nunca ficara assim antes, a não ser quando seu melhor amigo disse que a amava. Estava tudo girando como quando se está num chapéu-mexicano no parque de diversões, depois ela, contra sua vontade, fechou os olhos e desmaiou.
Ela acordou e já eram sete horas da noite, já estava quase na hora de colocar o jantar na mesa e ainda não estava pronto. Ela tinha que fazer correndo, se levantou e foi à cozinha, mas viu que a mesa já estava posta e que a comida estava pronta, apenas faltava esquentá-la.
- Estranho. – disse mais alto do que deveria – não me lembro de ter feito isso. Apenas me lembro de ver um filme e um menino ter saído dele para pedir minha ajuda. – ela coçou a cabeça e abriu a porta da geladeira, sempre que precisava pensar a abria e quase sempre dava resultado. – Um menino do Reino sei-lá-o-que, chamado Nick.
- Reino da terra! – disse alguém em suas costas, Sabrina pulou e acabou batendo a cabeça na geladeira. – Boa noite bela adormecida! – disse mais uma vez. E Sabrina virou rapidamente para ver quem era.
- Você?! – Sabrina começou a perder a consciência.
- De novo não! – Resmungou Nick em quanto corria em sua direção para apará-la da queda.
Ele a pôs no sofá. Sentou-se ao seu lado e ficou admirando a vista. Ela estava indefesa e maravilhosamente adormecida. Quando se deu conta do que estava acontecendo e no que estava pensando jogou o pouco de água fria que estava dentro de um dos copos no rosto de Sabrina.
- O que? – Sabrina levantou-se tão rápido que não deu tempo de Nick levantar-se e bateu a cabeça no nariz dele. Que logo gemeu – Me desculpe!
- Tudo bem, não faz mal. – ele alisou o nariz com o indicador e o dedão. E se levantou. - Você costuma desmaiar de mais, não acha? – disse ele lançando um olhar de dor e desaprovação.
- Não, na verdade não. – ela levantou e ficou de frente para Nick. - Mas depois de você chegar. Acho que sim. – os dois riram.
Nick ficou para jantar. A família de Sabrina havia adorado que ele tivesse vindo. Inclusive a própria Sabrina. Não sabia como, mas ele a conhecia como mais ninguém, isso a deixava pouco confortável, pois não sabia nada sobre a respeito dele. A não ser que era um camponês do Reino da Terra e era o menino mais bonito que conhecera. Mesmo assim ela o queria por perto. Nick olhava Sabrina de um jeito que a fazia estremecer inteira e não parou de olhar um só segundo para aqueles olhos azuis iguais à pedra de seu colar, a pedra que parecia ser chamada de Déllo, isso a intrigava de uma maneira tanto estranha como interessante. Seus pensamentos foram interrompidos quando Nick se levantou da mesa.
- Onde você esta indo? – Sabrina se levantou e ficou frente a frente com Nick.
- Para casa, minha querida. – disse respondeu a mãe de Sabrina.
- Isso. – ele deu um beijo em sua irmã e em sua mãe.
- Preciso falar com você. – disse puxando Nick até seu quarto. – Como você vai voltar para a fita sem mim?
- Não vou.
- Então como vai para a sua casa? – ela colocou as duas mãos na cintura.
- Vou para a casa que tenho nesse mundo..
- E onde é?
- Perto do prédio do colegial.
- Certo, mas se ficar aqui por todo o tempo que preciso. Vai precisar matricular-se no meu colégio.
- Sim, eu sei. Já fiz isso.
- Quando? Como? – Sabrina estava mais perdida do que cedo em tiroteio.
- Tenho meus métodos. – disse Nick dando um meio sorriso malicioso.
Assim ele deu um beijo em sua testa e foi embora. Sabrina não parava de pensar sobre o que havia acontecido naquele dia. Não conseguia para de pensar em como sua vida iria mudar, ela tinha que ser uma heroína. Mas, como? Não fazia sentido, ela sempre tinha sido tão medrosa a sua vida inteira e se não fosse por sua avó nada disso teria acontecido. Então quem deveria ser a escolhida era sua avó não ela. Sabrina passou a noite sem dormir direito e sempre tendo as mesmas coisas em mente; as palavras de sua avó, de Nick e como ele a conhecia tão bem.

Parte1


Estava sol, porém chovendo. Uma chova de verão, os pássaros estavam alegres e Sabrina estava em frente ao computador que ficava em seu pequeno quarto que quase só cabia ela, uma escrivaninha, uma mini TV e um armário embutido na parede. Ela conversava com os amigos pelo MSN e fazia sua lição. Estava cansada de todos os dias parecerem os mesmos. Nada de diferente acontecendo, apenas acordava, ia para a escola, voltava para casa com Guilherme – um menino que estudava em sua escola e morava perto – fazia a lição, entrava no velho computador das meninas super poderosas que ganhara quando tinha 10 anos, seis anos atrás, jantava com sua irmãzinha sua mãe depois tomava banho e ia dormir. Pelo menos era o que Sabrina achava.
Ela não sabia que daqui algumas horas receberia a visita inesperada de uma pessoa importante, e que sua vida mudaria drasticamente depois de conhecê-lo.
Sabrina liga a televisão, passa por vários canais, mas não estava passando nada de interessante, assim, procura por um vídeo que possa assistir. Mas já havia assistido á todos àqueles filmes pelo menos umas 10 vezes, mas de repente ela vê uma fita diferente. Sua capa é prateada por completo e estava escrito na capa com um alfabeto estranho:

Uma aventura de outro mundo

(“Uma aventura de outro mundo”)

- O que isso significa – murmurou consigo mesma – nunca vi este filme antes, será que a Gabi comprou?
Sabrina foi ao quarto de sua irmã, para verificar.
- Gabi, você comprou esse filme? – indagou Sabrina mostrando a capa a ela.
- Não. – Gabriela pegou a fita das mãos de Sabrina, examinou a capa e disse. – Nunca vi esse filme na minha vida.
- Estranho. – Sabrina fez uma careta, deu meia volta e enquanto fechava a porta ouviu sua irmã falar com ela. Assim abriu a porta novamente.
- O que?
- Eu perguntei: O que vai fazer com o filme? – Gabriela disse voltando a olhar para as suas bonecas que estava penteando antes de Sabrina a atrapalhar.
- Vou assistir. Para ver sobre o que é. – disse Sabrina dando de ombros.
- Não! – Gabriela gritou subitamente, ficou de pé e agarrou a irmã.
- O que houve? – perguntou Sabrina incrédula com a reação da irmãzinha.
- Já ouviu aquela história do filme que depois de visto a pessoa morre em sete dias? – Sabrina balançou a cabeça com tom de desaprovação. – Não quero que você morra!

- Gabi. – disse Sabrina tentando se soltar do abraço da irmã. – Não vou morrer.
- Você me promete?
- Sim. – Gabriela olhou para Sabrina, isso a fez entender que deveria falar “sim eu prometo”, então ela prosseguiu. – Eu prometo.
Assim Sabrina, com um pouco de medo do que a irmã havia dito fosse verdade, colocou o filme para passar em sua pequena televisão.
O filme não tinha nada haver com o a tal superstição, era sobre um reino encantado chamado de Reino da Terra. Ele estava sendo dominado por um rei mau, que havia se apossado do trono logo que sua mulher desapareceu e não quis deixar o herdeiro legitimo, Eduardo, assumir o seu lugar de direito e o pôs para fora do castelo. Não explicava muito bem o porquê do rei não deixara o Eduardo reinar, Sabrina pensou que era por mero capricho do velho rei viúvo.
Depois de três anos o príncipe já era visto como um simples camponês, porem havia muitas pessoas que se rebelavam contra o rei, no meio desses tinha Nick. Um garoto de dezessete anos, loiro, forte, olhos azuis, que estranhamente a cor azul de seus olhos, tinham um tom igual ao da pedra de seu colar.
Depois de um tempo Sabrina acabou dormindo, porém acordou quando ouviu um estrondo dentro de seu quarto. Ela se sentou assustada, abriu os olhos e viu um menino. Não era um menino feio ou estranho, mas era belo e esbelto, como ela jamais vira um menino de sua idade ser. Ele a lançou ou olhar ardente, porém educado, mas como se quisesse beijá-la, mas se mostrando educado suficiente para conter-se. Alem disso Sabrina notou que mesmo estando vestido com roupas rasgadas e sujas, era um cavalheiro. Assim que viu que ela havia notado sua presença rapidamente fez uma reverencia. Ela estava pasma com a entrada do tal garoto em seu quarto que não conseguiu ficar de pé, referenciá-lo e dizer seu nome. Apenas fazer duas simples perguntas.
- Quem é você? Como entrou no meu quarto? – disse tentando não gaguejar, o que para seu estado era bem difícil.
- Sou Nick. Um camponês do Reino da Terra. – disse ele tentando ser o mais natural possível e tentando não olhá-la nos olhos, mas sempre acabava os encontrando.
- De onde? – isso não fazia nenhum sentido. Aquele reino era do filme, o filme que ela acabara de ver.
- Do Reino da Terra. - disse impaciente. - Precisamos de sua ajuda! – ele pegou a mão de Sabrina e a puxou sem esforço algum para fora da cama. O coração dela começou a palpitar.
- Precisa da minha ajuda para que? – sua pergunta parecia mais para si própria do que para ele, pois quase não se podia ouvir sua voz falha.