terça-feira, 28 de setembro de 2010

Parte 5








Já era meia noite, Nick e Sabrina estavam á frente da estante dela tentando achar a fita. Eles não conseguiram a achar durante os 30 minutos antes que procuravam.
- Eu a deixe bem aqui. – disse Sabrina apontando para a estante.
- Você pode ter posto em outro lugar. – Quando ele terminou de dizer lugar Sabrina teve uma idéia. A pior idéia que tivera hoje.
- Será que a Gabi pegou para.
Seu coração batia rápido de mais, ela saiu do quarto e foi em direção ao quarto de Gabi. Antes mesmo de abrir a porta ela ouvia a televisão falando. Abriu a porta de vagar, para se sua irmã estivesse dormindo não a acordasse.
Sabrina abriu a porta devagar, como se ela tivesse abrindo um portão de ferro, não queria descobrir que a irmãzinha tinha entrado no filme. De acordo com Nick ele não podia entrar, mas as crianças eram “sugadas” para dentro, querendo elas ou não. O quarto estava escuro, apenas se ouvia a televisão e a luz que ela fazia. “Não!” pensou Sabrina “ela esta vendo apenas desenhos” assim abriu o restante da porta. Olhou para todos os cantos do quarto a procura de Gabriela. Nada.
- Não! – disse Sabrina em um tom abafado. – Nick! Ela esta. Lá. Dentro. – disse apontando para o televisor.
- Temos que tirá-la de lá o mais rápido possível. – ele pegou na mão dela e foi para frente do televisor onde passava o “filme”. – Fale exatamente o que eu falar.
- Certo. – ela apertou a mão na dele.
- Agora diga. Nessa hora.
- Nessa hora. – sua voz estava tremula.
- Desejo estar no Reino da Terra.
- Desejo estar – ela engoliu um seco e continuou – No Reino da Terra.
- Minha missão começa agora, Déllo.
- Minha... Missão come-meça... Agora, Déllo.
Assim que Sabrina disse a ultima palavra eles apareceram no meio do povoado do Reino. Estavam vestidos iguais aos outros Nunkas, com uma roupa meio surrada e suja de poeira e terra. Sabrina, mesmo estando um pouco assustado com o que acontecera a pouco, olhava admirada todos as sua volta. Reparava em cada Nunka e o que cada um estava fazendo. Mas percebeu que a sua mão que estava na de Nick não estava mais tão quente. Olhou para a mão, Nick havia soltado e estava distante dela, como se Sabrina estivesse cheirando mal.
Nick a olhou e se aproximou rapidamente para explicar as coisas, mas logo voltou a se distanciar. Ele dissera que não podia haver contatos físicos entre os Nunkas fora da casa, um Nunka devia manter dois palmos de distancia de uma Nunka quando estivesse num local publico. Certo, ela entendera nada de demonstração de afeto em locais públicos. Isso era ruim, porque quando ficava perto de Nick não conseguia ficar sem tocá-lo e vise-versa. Mas de algum modo Nick se controlava melhor no Reino do que na Terra. Eles andaram pelo menos 20 minutos, pelo que Sabrina contara, até chegarem numa cabana um pouco longe do lugar que chegaram e onde havia vários Nunkas por todos os lados. Portanto lá deveria ser o centro, supôs Sabrina.
A cabana não é o que se chama de grande. Ela é pequena, mas é confortável e quente. Nela havia dois pequeninos quartos, um ao lado do outro, uma sala com lareira, um pequeno sofá, uma mesa e um fogão, pia, armário e uma pequena geladeira. Presumiu então, que deviam morar lá os pais de Nick e ele, óbvio. A casa tinha um cheiro maravilhoso de comida misturada com o cheiro das flores de jasmins que estavam em cima da mesa, ao lado de vários papeis, livros, lápis e varias outra coisas que estavam escondidas em baixou dos papeis e livros. Havia um bule no fogão que apitou de repente e fez com que Sabrina pulasse.
- Não se assuste. É só o bule. – Nick pegou o bule e um copo, pôs o chá no copo. Percebeu que Sabrina o fitava. – Quer?
- Não. – ela olhou para a lareira que estava acesa e sentou no braço do sofá pensativa. – Você mora com seus pais?
- Não. – ele pegou o copo e foi se sentar ao seu lado. – meus pais foram assassinados quando era apenas uma criança, digamos 5 anos na idade dos humanos. E agora moro com meus tios.
- Me desculpe. – Sabrina abaixou os olhos imediatamente, se sentindo culpada por fazer ele se lembrar daquilo.
- Não. – ele disse rapidamente para que ela não se sentisse triste - Tudo bem. Eles foram mortos pelos guardas do palácio, numa rebelião contra o “rei”. O que os faz uns heróis. – ele chegou perto dela e a puxou para seu colo. – Por isso quero que ele de o que é de direito para Eduardo.
- Entendo, o herdeiro legitimo, não? – Nick fez que sim - Temos que ir. – disse pulando para o chão - Minha irmã.
- Claro.
Ele se levantou, pegou um lápis e uma folha e deixou um recado para os tios e foram em busca de Gabriela.
Assim que passaram a porta ele se afastou novamente de Sabrina. Já era noite. Sabrina olhava maravilhada para o céu. Ela nunca havia visto um céu como aquele. Ele era completamente azul escuro, cheios de estrelas brilhando e uma lua cheia entre todas aquelas estrelas. Parecia até mágica. Parecia que ela estava numa pintura, mas conseguia sentir o ar ao seu redor.
- Nick, você já reparou que o céu é maravilhoso?
- Sim. – ele parou e olhou para o céu estrelado. – Quando meus pais ainda estavam vivos nós ficávamos observando o céu na noite de lua cheia. Meu pai acreditava que a noite de lua cheia, diferente dos outros, era uma noite, alem de mágica, dava sorte. Ele dizia que todas as noites de lua cheia, antes da rainha desaparecer, eles festejavam a noite. Cantavam, dançavam, namoravam.
- Namoravam? Não é proibido demonstrar afeto em publico?
- Não antes da rainha desaparecer. Ela gostava de ver como as pessoas se gostavam. Achava isso maravilhoso, principalmente amor de jovens. – os olhos de Nick estavam brilhando como uma estrela do céu.
- Minha avó também achava o amor jovem maravilhoso. Falava que era o amor mais puro de toda a nossa vida.
Eles não conversaram mais depois, só andaram e trocavam olhares de tempos em tempos. Já estava quase amanhecendo, Sabrina estava cansada e disse que precisava dormir um pouco. Nick avistou uma caverna e eles se sentaram dentro da caverna. Nick tirou dois cobertores de uma pequena mochila que trazia consigo. Estendeu uma ao lado da outra.
- E a coisa.
- Estamos numa caverna a milhares de quilômetros de uma civilização, estamos no meio do caminho. Não vai ter nenhum problema.
Ela se deitou olhando para fora da caverna para ver o amanhecer, mais uma vez estava fazendo algo que nunca pensara em fazer, ver o amanhecer junto a um garoto. Apoiou a cabeça no braço. Nick deitou-se ao lado de Sabrina, colocou um braço ao redor do corpo dela, para aquecê-la e apoiou a cabeça na mão e começou a brincar com o cabelo dela. Assim Sabrina dormiu, aconchegada aos braços de Nick.
- Sá! Vamos!
Sabrina foi acordada aos gritos por Nick.
- O que aconteceu?
- Sua irmã está em perigo. Ela está no castelo.
- Certo, vamos logo. Quanto tempo ainda demorará?
- 30 minutos.
- Certo, vamos.
Sabrina e Nick correram o mais rápido que puderam até a entrada dos fundos do castelo e conseguiram chegar em 30 minutos. Nick escondeu a mochila para não deixar rastros, pegou um uniforme de empregado e empregada na cozinha. Os dois se vestiram rapidamente. Ele pegou uma bandeja com umas comidas em cima e ela pegou um espanador. Assim eles se esgueiraram castelo adentro. Depois que chegaram a um local que poucos funcionários podiam entrar se livraram logo da badeja e do espanador e entraram escondidos. Nick ficava na frente e falava quando eles podiam seguir em frente. Em pouco tempo estavam a frente de uma sala envidraçada e tinha uma menininha lá dentro sentada numa cadeira.
- Gabi! – Sabrina ameaçou a sair correndo, mas Nick a barrou.
- Me espere! – ele levantou e saiu. Sabrina o ficou esperando durante 20 minutos, 20 longos e demorados minutos.
- Pronto, chamei reforços. – ele disse baixinho depois que voltara. – eles estão a caminho. Temos um plano. – Nick explicou o plano para Sabrina que logo concordou, mesmo não sabendo qual era o final. Ele não mencionou.
- Certo, mas como vou usar o Déllo?
- Bom, você irá descobrir por extinto. Espero.
- Eu também.
O plano era o seguinte. Quando eles disse guardas indo para o portão era o sinal para que ela pegasse a irmã e a colocasse em um local seguro em quanto ele e os outros rebeldes distraiam os guardas, e depois ela tinha que esperá-lo na caverna.
Tudo ocorreu certo, até Sabrina errar o local onde virar e acabou dando nos aposentos reais.
- Ora, ora! Que visita mais inesperada! – disse o rei pondo-se de pé.
- Carlo! – Sabrina parou, disse para sua irmã ir para a caverna.
- Mas Sá. – disse Gabriela cochichando. – Não sei como chegar. – Sabrina disse algo e logo apareceu um mapa em sua mão. Pura mágica. Sabrina agora entendia o funcionamento do colar herdado.
- Vá. – ela virou para falar com o Rei. – Carlo. Precisa devolver o trono a Eduardo.
- Esta maluca, Sabrina?
- Não, só estou tentando ser pacífica.
- Não vai adiantar. Terá que lutar comigo.
- Certo. – Sabrina já imaginava que isso aconteceria.
Horas se passaram, ainda ouvia-se o barulho da briga no pátio do castelo. Sabrina estava cansada, um pouco arranhada e alguns ferimentos leves, diferente do rei. Ele estava horrível, tinha ferimentos graves e leves no corpo inteiro. Sabrina se sentiu mal por telo ferido tanto, mas fora ele que pediu que isso acontecesse.



segunda-feira, 12 de julho de 2010

Parte 4


Quando entrou em casa e viu a sua irmã, brincado com as bonecas e bonecos fingindo ser o mundo em que o Nick vivia e tinha contado varias historias de lá para ela. No rosto de Sabrina logo viu o sorriso que ela abriu ao se lembrar dele, mas logo desapareceu quando sua irmã perguntou quando, se Nick voltasse para sua verdadeira casa, ele voltaria a vê-las. Sabrina não sabia se ela ficaria com ele no Reino, se ele voltaria com ela ou se os dois iriam se separar, nada estava certo em sua cabeça. Para se distanciar desses pensamentos Sabrina foi para o seu pequeno quarto, pegou seu I Pod nano, ligou em uma das musicas que mais gostava e foi fazer o jantar. Assim que ficou pronto deu comida a sua irmã, deu banho nela e a botou para dormir. Já eram 8 horas e sua mãe não havia chegado. Então ela fez a lição, tomou banho, mas como não estava com fome não jantou. Dormiu escutando ainda o I Pod e não ouviu sua mãe chegara em casa.
Na manhã seguinte, Sá acordou de bom humor se arrumou inteira como nunca tinha se arrumado e até parecia uma Barbie Russa que a irmãzinha possuía. Isso tudo graças ao melhor sonho, que tinha tido nas ultimas semanas, mas o seu maior pesadelo. Com tudo estava feliz, era o ultimo dia da semana de provas. Ou seja, faltava pouco para as aulas acabarem e entrar de férias. Ficar de bobeira o dia todo, fazer a maioria das coisas que dessem na cabeça. Ir a praia então! Era o que queria fazer a muito tempo e agora já podia dirigir. Sua carteira seria entregue amanhã, mesmo não tendo carro ela podia pedir algum emprestado. Sua mãe percebeu o estado alegre de espírito dela, porem percebeu também o lado preocupado.
- Filha, o que houve?
- O ano já esta quase acabando. Vou tirar a carteira de motorista e vou para a praia. – ela deu um sorriso torto.
- E o que está te incomodando?
- Me. – sabia que a mãe havia percebido e não adiantaria mentir. – Mãe, se uma pessoa que você gosta muito pode nunca mais voltar se ela se despedir. O que você faz?
- O que achar certo.
- Por que a vida é tão complicada? – Sabrina murmurou para si, porem a sua irmã ouviu.
- Ela só é se você quiser.
- Como você aprendeu isso?
- Isso o que? – Gabi deu de ombros fingindo não entender nada.

Hoje Sabrina aceitou a carona de Guilherme, ele não parava de falar como ela tinha sorte de ter um amigo como Nick, ele era muito legal. E como ele tinha sorte de me ter como amiga, pois alem de linda ouvi sem dar um pio. Na verdade não falava nada com ele, porque estava concentrada em outras coisas, mas excepcionalmente hoje eu prestava atenção a sua falação. Quando chegamos ao colégio quase pulei do carro em quanto o Gui estacionava só para poder falar com o Nick.
Quando cheguei para falar com Nick, que estava acompanhado pelo time de futebol do colégio, lhe dou um beijo espontâneo como dou nos outros meninos, que ficam aparentemente abobados com a sua atitude.
- Tudo bem Nick.
- Sim, mas você esta tão diferente. – ele a olha nos olhos e ela também o olhou.
- Estou me sentindo diferente hoje. Posso?
- Sim. Você esta linda.
- Obrigada. – ela lhe da outro beijo no rosto, só que desta vez mais ardente e demorado. – Te vejo depois.
- Esta bem. – ele acenou. E olha para os colegas. – Espera! Quer sentar comigo no almoço?
- Igual à ontem? – ela para.
- Não, você suas amigas e meus amigos. – ele apontou com a cabeça.
- Claro.
Quando ela deu á noticia a Fabiana, Violeta, Joana e Diana elas surtam de tanta felicidade que quase derrubam a Sabrina no chão.
- Você é de mais! – todas elas disseram.
- Eu sei.
Elas sairam para dentro do colégio rindo, fofocando. Tudo o que uma garota faz antes de bater o sinal. Todas elas ficaram ansiosas para chegar a hora do intervalo, mas conseguiram prestar atenção nas aulas. Elas combinaram de se encontrar no banheiro perto do refeitório faltando 10 minutos para bater o sinal, claro que elas pediriam aos professores. O que deu certo, elas demoraram os dez minutos no banheiro e, portanto foram as primeiras a chegar à cantina. Compraram tudo e sentaram numa mesa para muitos. Assim que os garotos as viram, foram comprar o lanche e sentaram-se com elas e mais umas pessoas. Todos estavam conversando entre si menos Nick e Sá que se entre olhavam como se com o olhar eles se comunicassem. Sabrina então resolveu quebrar o silencio entre eles.
- O que vai acontecer quando voltar – ela sussurrou no ouvido dele – eu vou ficar ou você vai voltar?
- Eu não sei. – disse ele meio desconfortável. – Temos que fazer isso amanhã.
- Certo, mas se for amanhã temos que nos despedir hoje. – ela o olhou esperançosa para que ele concordasse.
- Certo, te pego ás 5 na frente da sua casa.
- Certo.
Sabrina queria beijá-lo mais do que tudo, mas se continha, pois tinha medo do iria acontecer, porque quando eles se tocavam ela ficava estranha. Já pensou beijá-lo. Não conseguia entender, ela o queria, mas ao mesmo tempo queria que ele ficasse longe. Mais do que nunca ela estava confusa com seus pensamentos, uma hora sabia o que realmente queria dele. O seu beijo. Mas outra hora mudava de idéia e o que queria era esquecê-lo. O queria longe. Ela não compreendia o porquê dessas mudanças de uma hora para outra de sentimento em relação a ele. Talvez insegurança? Não, ela sabia o que ele queria dela. Não o que ELE mesmo queria, mas sabia por que ele VIERA.
O tempo das aulas pareciam milênios que passavam lentamente. Não via a hora de se encontrar com ele, era como se perto dele ela só tinha um estado de espírito. Alegria. Com ele sempre era alegre. A alegria não acabava, mas quando saia de seu lado. Os restos dos sentimentos vinham; a raiva, a inveja, a dor, a tristeza, o ódio e o pânico. Principalmente o Medo, o medo de perdê-lo para sempre.
Quando ela pensou em perdê-lo lágrimas rolaram sem pestanejar de seus olhos. Ela não conseguia pará-las, parecia que tinham vida própria.
- Sá. Minha querida você esta bem?
- Eu. Eu. - ela mais soluçava do que falava. – só preciso beber água. Posso?
- Claro.
Ela foi ao banheiro e viu que nada estava foram do lugar, a não ser as lagrimas que escorriam pelo seu rosto branco com sardinhas.
Depois disse para si mesma para não pensar mais nele. Tinha que se concentrar nas aulas, pois as provas estavam ai e ela tinha que passar. Assim que começou a prestar atenção o dia passou voando.
Voltou para casa, fez a lição, pediu comida para ela e a irmã, tomou uma ducha, se aprontou colocando uma roupa leve pois o dia estava quente. Deram 5 horas. Ela ouviu uma buzina do lado de fora. Assim pegou Gabi, deixou a na casa de um visinho amigo de sua mãe, trancou a casa e desceu. Observou o carro. Era um conversível preto meio azul. O carro não era muito novo, mas estava em bom estado e era lindo. Sabrina pulou para dentro do carro.
- Aonde vamos?
- A um lugar ver o pôr-do-sol. – ele respondeu misteriosamente.
- Posso ligar o rádio?
- Sim. – ele a ficou observando um tempo antes de dar a partida.
Passaram-se 15 minutos e não chegavam ao destino misterioso de Nick.
- A onde você esta me levando?
- Ao seu sonho.
- Como assim meu sonho? – ela parou de passar os canais do radio e o olhou.
- Um sonho que disse que queria realizá-lo o quanto antes.
- Falta muito?
- Não, em cinco minutos estaremos lá.
Assim que viraram a curva os olhos de Sabrina brilharam. Ele estava levando-a para ver o pôr-do-sol no mar. Seu maior desejo, quer dizer, um dos maiores desejos de sua vida. Quando ele a ajudou a sair do carro, ela saiu correndo em direção a areia, assim que chegou virou para ver a distancia que estava de Nick. Ele ainda estava parado ao lado do carro, Nick a olhava com um interesse incomum. Ela o chamou, gritando, para que pudesse ouvi-la, mas ele não mexeu um músculo até ela chamá-lo mais três vezes. Então ele veio correndo.
- Por que demorou tanto?
- Eu estava tentando guardar esse momento.- ele apoiou-se nos joelhos para pegar fôlego.
- Mas ainda haverá mais milhões de pôr-do-sois. – ela parou, já tinha se esquecido que ele viera de outra dimensão, de outro mundo. – Desculpe.
Ela se sentou na areia e o chamou para o seu lado.
- Você ainda não me disse.
- O que? – ele a olhou tentando achar alguma resposta nos olhos dela.
- Você irá ficar comigo aqui, ou eu irei ficar lá? Ou então você lá e eu aqui?
- Não quero falar disso.
Ela logo percebeu que havia algo que ele não queria falar para não deixá-la magoada, algo que poderia destruir tudo aquilo que já havia passado.
- Agora você me responda uma coisa.
- O que? – ela se aproximou dele, e logo aquela estranha sensação veio átona, mas ela não foi para trás.
- Você irá comigo amanhã?
- Claro, eu prometi. Quem promete cumpre. – ela cruzou os dedos duas vezes em frente aos lábios.
- Nem sempre. – ele se aproximou mais ainda, dava para sentir seu hálito de menta.
- Como assim?
- Prometi não me apaixonar por uma humana, principalmente por uma como você. Mas me apaixonei perdidamente.
- O que você quer dizer, como eu?
- Ué, simples. Uma escolhida.
O rosto dele abaixou, ele a beijou no pescoço. O coração de Sabrina disparará, não conseguia controlá-lo mais. Ela havia perdido todos os movimentos que a faziam fugir, apenas lhe restava os que a faziam se aproximar.
Ela estava fora de si, agora surgira um sentimento em relação a ele que ela não se dera conta, o amor. Sabrina nunca experimentara o amor em relação a garotos, apensa amizade e ás vezes gostar apenas por dois dias, mas esse sentimento era diferente. Era intenso e sentia que havia muita adrenalina em seu corpo. Assim que ele tocou os lábios dela com as pontas de seus dedos ela já havia parado de tentar fugir, e queria se aproximar, mas não sabia como. Não sabia á hora certa, apenas olhava fixamente os olhos do seu amado, do seu primeiro e único amor.
Olhava os olhos dele tentando compreende-los de alguma forma, do mesmo jeito que ele fazia em relação aos seus olhos cor de mel. Parecia que ele a tinha compreendido finalmente. Ele tirou suas mãos dos lábios de Sabrina e colocara agora no pescoço dela, para beijá-la. Ele a beijou delicadamente no começo, mas quando ela retribuiu, ele a beijou apaixonadamente. Sabrina se sentia nas nuvens e queria que aquele momento nunca acabasse porem tudo que é bom, dura pouco.
Ele se afastou dela e a admirou, ela o admirou também, seu coração ainda pulava em seu peito como bola de elástico. Já estava ficando quase noite quando ele se levantou.
- Vamos? – ele estendeu as duas mãos para ajudá-la.
- Vamos. – Nick a puxou do chão e a acomodou ao seu lado.
- Corre. – Ele disse soltando Sabrina e correndo.
- Por quê? – Sabrina murmurou colocando as mãos no rosto. E saiu correndo atrás dele.

Parte 3


No dia seguinte Sabrina não aceitou a carona de Guilherme para ir ao colégio, mesmo ele tendo persistido ela não quis. Sabia que o caminho era longo o suficiente para ela conseguir imaginar como é que ela faria se o Nick fosse falar com ela no colégio. Provavelmente ele iria ser popular mais rápido do que qualquer outra pessoa, porque afinal ele era lindo, bem arrumado, tinha um perfume delicioso e era simpático. “Por que não?” pensou Sabrina “Porque ele não se tornaria popular com todas essas qualidades? Mas como é que ele irá falar comigo se eu não sou popular e ele esta um ano a frente de mim. Primeiros que as garotas não vão deixá-lo em paz um só segundo do intervalo ou no momento das trocas de aulas.” Assim fez durante todo o caminho, pensando como é que ela iria falar com o Nick.
Parou assim que chegou na entrada do gramado verde do colégio. Parecia normal, bom, não normal para ela, mas normal para o colégio. As pessoas estavam reunidas em grupinhos fofocando sobre assuntos da vida alheia sentados no gramado, nas escadas que davam na porta da frente do colégio ou nos bancos e mesas que se espalhavam lá fora.
Sabrina tomou coragem de ir até o seu suposto “grupinho” de amigas para saber o que tanto elas riam e conversavam. Assim que chegou perto Fabiana logo a incluiu na conversa.
- Sá, você já viu o menino novo?
- Qual menino?
- O cara mais bonito que já vi na minha vida. – disse a Violeta quase pulando de tanta animação.
- Mas quem é esse super deus que vocês estão falando?
Assim que terminou de falar um menino loiro, com mechas morenas no cabelo, olhos azuis, alto, forte e vestido igual a qualquer outro garoto normal da escola. Apareceu e para sua surpresa era ele.
- Aquele ali. – Fabiana apontou o dedo para o menino que logo se viu cercado de garotas e garotos querendo pegar a sua ficha completa. – Vamos!
Agora lá estavam Fabiana, Violeta, Joana e Diana tentando achar um espaço para poderem ver suposto deus de que todos falavam. Sabrina ainda não tinha percebido de quem todos falavam, pois estava entretida demais em seus próprios pensamentos. Assim ela ficou para olhando para a multidão, por uma fração de segundos Sabrina pode ver quem era. Nick.
- Nick? – Ela gritou tentando falar mais alto que a multidão enlouquecida.
- Sabrina! Você! – assim que ele pronunciou o seu nome todos se calaram e abriram passagem para que Sabrina fosse ao seu encontro. Ela estava constrangida de tantos olhares que se voltavam a ela, não gostava de chamar atenção, mas com ele por perto não haveria como. – Preciso falar com você. – todos imediatamente mudaram o foco de sua atenção para Nick. – A sós! – ele disse em um tom que desse a entender que todos fossem embora, mas não aconteceu. Isso só os deixou mais ansiosos para ouvir a conversa.
- Acho que o colégio não é um bom local. – murmurou Sabrina.
- Acho que é o local certo. Não tenho mais paciência de esperar para te perguntar.
Tanto Sabrina como todos os espectadores ficaram esperando a tal pergunta. Mas quando Nick abriu a boca para falar o som estridente do sinal tocou, agora uma “boiada” de alunos iam para dentro da escola o mais rápido possível para não perder a hora. Quando Sabrina conseguiu se mover e a andar uma mão forte agarrou seu pulso.
- Espere. – sussurrou Nick. – Isso é importante.
- Mas como vou explicar o meu atraso á professora?
- Diga que estava me ajudando a encontrar minhas salas.
- Certo.
Ela o seguiu colégio adentro até um local mais reservado, onde poderiam conversar em paz.
- Preciso saber em quanto tempo você consegue se sentir pronta para cumprir o seu dever.
- Eu já estou. Estou no colégio. – Disse Sabrina botando o peso na outra perna.
- Não estou falado desse dever. – Nick revirou os olhos.
- A! Sim esse dever. Só depois de terminarem as provas.
- Não tempo todo esse tempo. – disse ele impaciente. Essa era a primeira vez que o via impaciente. Não que o conhecesse a tempos, mas ele parecia uma pessoa que não perdia a paciência tão facilmente.
- Mas.
- Sem mas. – ele colocou seu dedo indicador nos lábios de Sabrina. Assim que isso ocorreu, Sabrina estremeceu e logo se afastou. Nick percebeu a reação dela. – Desculpe. Você não gosta. – ele abaixou os olhos.
- Não é isso. É que quando você me toca é como se. Como se. Como se eu alguma coisa passa se de você para mim. – Sabrina sabia exatamente o que era, era um tipo de conexão tão forte que ela sentia vontade de beijá-lo, mas isso não seria bom. Eles apenas se conheciam há um dia.
- Entendo.
- Realmente. – ela indagou surpresa.
- Sim, acontece isso também, mas é como se eu não conseguisse não te tocar. Alguma coisa.
- Crianças. – disse uma voz fina e estridente vinda do outro lado do corredor – O que fazem aqui? Já bateu o sinal. Andem, andem!
Era uma mulherzinha gordinha e baixinha, se vestia de vermelho da cabeça aos pés. Parecia mais uma maçã do que uma pessoa, isso veio direto em sua cabeça. Sabrina queria saber se Nick pensava o mesmo, mas não se arriscava em perguntar. Ele reparou na expressão estranha no rosto de Sabrina e se abaixou e cochichou em seu ouvido.
- Ela parece uma maçã ambulante não? – os dois riram baixinho do comentário.
Assim que Sabrina viu onde tinha que parar despediu-se dele e entrou na sala. A professora logo perguntou qual era o motivo da demora e Sabrina disse que havia acompanhado o novo aluno a classe dele. A professora a mandou sentar em uma carteira vazia no fundo da sala. Assim que passava pelas carteiras todos os olhares se voltavam a ela, como se fosse uma estrela. Sabrina não se sentia muito confortável com tanta atenção, diferente de muitas outras pessoas como Celina Golden, sempre fazendo gracinhas durante a aula, sempre andando com o nariz empinado e fazia questão que todos a notassem quando passava.

Agora as aulas antes do intervalo custavam a passar. Sabrina ficava repassando o que Nick estava querendo dizer com “é como se eu não conseguisse não te tocar.” Será que ele gostava tanto dela quanto ela gostava dele, mas porque havia tanta atração em relação aos dois sendo que eles apenas se conheciam a pouco tempo, quer dizer a um dia? E o que ele ia falar quando a mulher-maçã chegou? Ele ainda não havia falado para ela. Isso se instalava em seus pensamentos quase todas as aulas. Ela estava pensando nisso quando o professor de português a chamou.
- Querida, você poderia responder-me a questão? - ouvi uma voz de um menino soprando a resposta no meu ouvido. Que logo a reproduzi em voz alta para o professor. – muito bem senhorita.
O professor se virou para escrever algo na lousa quando bateu o sinal. Sabrina logo virou na direção em que a voz veio, a suas costas.
- Obrigada. – disse para o garoto sem perceber quem era.
- De nada Sá.
Ela olhou para o rosto do garoto. Taylor. Taylor, o garoto que havia se declarado a ela seis anos atrás. Ele estava consideravelmente diferente, os músculos dos braços eram mais visíveis, ele havia crescido uns 15 centímetros, devia estar com 1,80, seu cabelo estava todo espetado para cima, o que o deixava mais bonito.
- Você ficou mais bonito nesses últimos anos. – Comentou Sabrina.
- Obrigado, você também. - Logo Sabrina sentiu suas bochechas começarem a corar. – Quer almoçar comigo e meus amigos?- Acho que sim, só preciso falar com as garotas para se sentarem conosco. – Sabrina hesitou.
- Não há problema nenhum. Se for o que quer saber.
- Obrigada. – Ela abriu um meio sorriso, assim que chegou à porta, lembrou de Nick. E se virou bruscamente quase batendo em uma garota que tentava sair da sala. – Taylor. – ele se virou para ver quem o chamava. – O Nick pode se sentar conosco?
- Pode. – ele se virou e voltou a colocar as coisas dentro da mochila.
Ela reparou que ele não havia gostado da idéia, pois começará a jogar tudo dentro da mala. Achou engraçado como ele reagiu à pergunta, pelo jeito ele não deve ter parado de gostar dela durante esses seis anos. Assim que saiu da sala e se virou em direção ao seu armário viu Nick para ao lado de uns dos armários de seus novos amigos. Sabrina achava que aquilo era apenas uma conhecidência que muitas vezes acontecia no colégio então passou reto olhando para o chão e se contendo em não olhar para ele, mas não resistiu e virou a cabeça e logo encontros os olhos azuis da cor da pedra Déllo de seu colar, aqueles dois olhos a fitavam e sem querer ela parou no meio do corredor esperando que ele viesse em sua direção. E foi exatamente o que aconteceu.
- Sá. Espere! – disse Nick levantando uma das mãos.
Ela o olhou enquanto ele caminhava em sua direção.
- Nick. Você tem de fingir ser um garoto do terceiro e fingir que não é da – ela se aproximou do ouvido dele e cochichou. – Do Reino sei lá das quantas.
- Eu sei. Por isso vou almoçar com você.
- Certo, vamos almoçar com minhas amigas, Taylor e os amigos dele.
- Taylor me pareceu um pouco com ciúme de nós.
- Como assim de nós? – Sabrina franziu a testa fingindo não entender.
- Nós! – ele colocou seu braço em volta dos ombros dela e a puxou para que ficassem juntos.
- Nick. – ela olhou para o braço que a envolvia, e olhou para ele.
- Certo, sem contatos físicos. – ele tirou o braço – Desculpe.
Durante todo o intervalo ele dava um jeito de tocá-la, mesmo não percebendo. Taylor estava louco de ciúmes e às vezes um pouco satisfeito em ver que Sabrina não gostava que ele a tocasse.
Depois que o ultimo sinal tocou as pessoas saíram correndo da classe para chegarem o mais cedo possível em suas casas ou shoppings, menos Sabrina que não fazia questão nenhuma de sair correndo da escola, pois sabia que quando chegasse em casa tudo estaria exatamente igual a não ser pela companhia de Nick. Quando se encontraram na porta do colégio Nick não pensou em tocá-la novamente sabendo que isso poderia irritá-la.
Durante todo o percurso até a casa de Sabrina eles conversaram sobre a questão dela ser heroína e dele saber tanto dela. Ele disse que na cidade deles, as crianças aprendiam as lendas aprofundadamente, eles estudavam como os heróis ou heroínas eram, o que gostavam o que haviam feito em sua vida, seus relacionamentos e tudo mais. Quando Nick chegou na parte de relacionamentos o corpo de Sabrina automaticamente congelou, não gostava desse assunto. Logo ele percebeu isso e mudou de assunto tentando falar como fora o seu primeiro dia de aula nessa dimensão.
- Nick, então você esta dizendo que eu sou uma lenda no seu mundo?
- Sim, nosso tempo passa muito mais rápido do que o tempo aqui na terra.
- Portanto você deve ter mais de dezessete anos. Não?
- Sim, tenho.
- Quantos anos exatamente você tem.
- Bom. – ele parou um minuto para fazer as contas. – Em minha dimensão tenho 120 anos.
- Ual! – os olhos de Sabrina se arregalaram, nunca havia pensado que uma pessoa pudesse ter mais de 105 anos, no máximo. Mas se bem que ele não era um humano ele era. O que ele era? – A final, você não é humano.
- Não.
- Então o que é?
- Eu sou um Nunka.
- Certo – eles já estavam chegando á esquina da casa de Sabrina. Tinha que formular alguma pergunta rápido. – Como vocês nascem?
- Bom, é meio difícil de explicar. – ele hesitou por um momento mas viu o interesse estampado nos olhos de Sabrina, o que lhe deu força para tentar explicar. – Nós somos fruto de um amor.
- Como assim? – ela parou ao lado da escada que dava para a porta da frente do prédio de esquina onde ela morava.
- Bom, quando duas pessoas estão amando uma a outra, um Nunka nasce.
- Deixe-me ver se compreendi. – ela suspirou - Um Nunka é um amor que nasce entre duas pessoas? Então deve ter milhões de Nunkas. – Sabrina abriu um sorriso sarcástico.
- Não, o nascimento de um Nunka não é qualquer amor. Ele tem que ser correspondido igualmente, tem de ser um amor de um casal e tem que ser verdadeiro e puro. – ele abriu um sorriso enorme no rosto mostrando todos os dentes, brancos como a neve.
- Certo. Tenho que entrar para fazer a comida. – ela pegou a maçaneta para abrir, mas recuou e virou-se – Quer entrar?
- Não posso, tenho muito dever.
- Deus! Você esta parecendo um garoto de verdade. Não um Nunka!
- Mas não era esse o meu objetivo?
- Tanto faz. – disse ela dando de ombros.
Hesitando um pouco ela foi em direção ao Nick. E lhe deu um beijo na bochecha e um a braço, logo ela e Nick se abraçavam como namorados, eles estavam sorrindo. Não era qualquer sorriso, era um sorriso de duas crianças contentes e um sorriso sincero e sereno. Quando ela viu o que parecia, logo se distanciou e assim que isso aconteceu os dois pararam de sorrir como antes.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Parte2


- Você é a escolhida. Tem a pedra de Déllo. – ele apontou para o colar em seu pescoço.
Sabrina olhou o colar pelo espelhinho que estava ao seu lado. E quando olhou o colar lembrou-se imediatamente de sua falecida avó.
Aquele era um colar que ela a havia dado antes de morrer. Lembrou então das palavras que havia dito depois de dá-lo “guarde-o e nunca o tire, é o bem mais precioso que tenho. E o passo a você. Não esqueça que tem que aceitar ajudá-lo” e quando Sabrina perguntou quem ela deveria ajudar sua avó apenas respondera que saberia quando o visse pela primeira vez. Que ela teria um pressentimento a quem ela deveria ajudar. Depois disso ela nunca mais o tirou, todos os dias de sua vida prometera que ficaria sempre com o tal colar. Há cinco minutos não entendia o que significava as ultimas palavras ditas pela sua falecida avó.
- Escolhida para que?
- Para salvar o Reino da Terra. – ele a puxou mais uma vez.
- Não posso. – ela se fixou no chão, como uma pedra.
- Por quê? – ele parou e virou-se.
- Não quero deixar tudo para trás. – ela encontrou os olhos azuis dele, que fez suas pernas amolecerem e com que ela pensasse nas palavras de sua avó novamente. – Mas volte e daqui algum tempo eu vou.
- Não posso voltar sem você. – isso provocou um grande impacto nela.
- Por quê?
- Ou volto com você ou fico preso em seu mundo. E – ele parou para olhá-la, mas quando abriu a boca para falar não saíram nenhuma palavra apenas um suspiro.
Sabrina apoiou-se imediatamente em sua escrivaninha, colocou a mão no peito e tentou se acalmar. Nunca ficara assim antes, a não ser quando seu melhor amigo disse que a amava. Estava tudo girando como quando se está num chapéu-mexicano no parque de diversões, depois ela, contra sua vontade, fechou os olhos e desmaiou.
Ela acordou e já eram sete horas da noite, já estava quase na hora de colocar o jantar na mesa e ainda não estava pronto. Ela tinha que fazer correndo, se levantou e foi à cozinha, mas viu que a mesa já estava posta e que a comida estava pronta, apenas faltava esquentá-la.
- Estranho. – disse mais alto do que deveria – não me lembro de ter feito isso. Apenas me lembro de ver um filme e um menino ter saído dele para pedir minha ajuda. – ela coçou a cabeça e abriu a porta da geladeira, sempre que precisava pensar a abria e quase sempre dava resultado. – Um menino do Reino sei-lá-o-que, chamado Nick.
- Reino da terra! – disse alguém em suas costas, Sabrina pulou e acabou batendo a cabeça na geladeira. – Boa noite bela adormecida! – disse mais uma vez. E Sabrina virou rapidamente para ver quem era.
- Você?! – Sabrina começou a perder a consciência.
- De novo não! – Resmungou Nick em quanto corria em sua direção para apará-la da queda.
Ele a pôs no sofá. Sentou-se ao seu lado e ficou admirando a vista. Ela estava indefesa e maravilhosamente adormecida. Quando se deu conta do que estava acontecendo e no que estava pensando jogou o pouco de água fria que estava dentro de um dos copos no rosto de Sabrina.
- O que? – Sabrina levantou-se tão rápido que não deu tempo de Nick levantar-se e bateu a cabeça no nariz dele. Que logo gemeu – Me desculpe!
- Tudo bem, não faz mal. – ele alisou o nariz com o indicador e o dedão. E se levantou. - Você costuma desmaiar de mais, não acha? – disse ele lançando um olhar de dor e desaprovação.
- Não, na verdade não. – ela levantou e ficou de frente para Nick. - Mas depois de você chegar. Acho que sim. – os dois riram.
Nick ficou para jantar. A família de Sabrina havia adorado que ele tivesse vindo. Inclusive a própria Sabrina. Não sabia como, mas ele a conhecia como mais ninguém, isso a deixava pouco confortável, pois não sabia nada sobre a respeito dele. A não ser que era um camponês do Reino da Terra e era o menino mais bonito que conhecera. Mesmo assim ela o queria por perto. Nick olhava Sabrina de um jeito que a fazia estremecer inteira e não parou de olhar um só segundo para aqueles olhos azuis iguais à pedra de seu colar, a pedra que parecia ser chamada de Déllo, isso a intrigava de uma maneira tanto estranha como interessante. Seus pensamentos foram interrompidos quando Nick se levantou da mesa.
- Onde você esta indo? – Sabrina se levantou e ficou frente a frente com Nick.
- Para casa, minha querida. – disse respondeu a mãe de Sabrina.
- Isso. – ele deu um beijo em sua irmã e em sua mãe.
- Preciso falar com você. – disse puxando Nick até seu quarto. – Como você vai voltar para a fita sem mim?
- Não vou.
- Então como vai para a sua casa? – ela colocou as duas mãos na cintura.
- Vou para a casa que tenho nesse mundo..
- E onde é?
- Perto do prédio do colegial.
- Certo, mas se ficar aqui por todo o tempo que preciso. Vai precisar matricular-se no meu colégio.
- Sim, eu sei. Já fiz isso.
- Quando? Como? – Sabrina estava mais perdida do que cedo em tiroteio.
- Tenho meus métodos. – disse Nick dando um meio sorriso malicioso.
Assim ele deu um beijo em sua testa e foi embora. Sabrina não parava de pensar sobre o que havia acontecido naquele dia. Não conseguia para de pensar em como sua vida iria mudar, ela tinha que ser uma heroína. Mas, como? Não fazia sentido, ela sempre tinha sido tão medrosa a sua vida inteira e se não fosse por sua avó nada disso teria acontecido. Então quem deveria ser a escolhida era sua avó não ela. Sabrina passou a noite sem dormir direito e sempre tendo as mesmas coisas em mente; as palavras de sua avó, de Nick e como ele a conhecia tão bem.

Parte1


Estava sol, porém chovendo. Uma chova de verão, os pássaros estavam alegres e Sabrina estava em frente ao computador que ficava em seu pequeno quarto que quase só cabia ela, uma escrivaninha, uma mini TV e um armário embutido na parede. Ela conversava com os amigos pelo MSN e fazia sua lição. Estava cansada de todos os dias parecerem os mesmos. Nada de diferente acontecendo, apenas acordava, ia para a escola, voltava para casa com Guilherme – um menino que estudava em sua escola e morava perto – fazia a lição, entrava no velho computador das meninas super poderosas que ganhara quando tinha 10 anos, seis anos atrás, jantava com sua irmãzinha sua mãe depois tomava banho e ia dormir. Pelo menos era o que Sabrina achava.
Ela não sabia que daqui algumas horas receberia a visita inesperada de uma pessoa importante, e que sua vida mudaria drasticamente depois de conhecê-lo.
Sabrina liga a televisão, passa por vários canais, mas não estava passando nada de interessante, assim, procura por um vídeo que possa assistir. Mas já havia assistido á todos àqueles filmes pelo menos umas 10 vezes, mas de repente ela vê uma fita diferente. Sua capa é prateada por completo e estava escrito na capa com um alfabeto estranho:

Uma aventura de outro mundo

(“Uma aventura de outro mundo”)

- O que isso significa – murmurou consigo mesma – nunca vi este filme antes, será que a Gabi comprou?
Sabrina foi ao quarto de sua irmã, para verificar.
- Gabi, você comprou esse filme? – indagou Sabrina mostrando a capa a ela.
- Não. – Gabriela pegou a fita das mãos de Sabrina, examinou a capa e disse. – Nunca vi esse filme na minha vida.
- Estranho. – Sabrina fez uma careta, deu meia volta e enquanto fechava a porta ouviu sua irmã falar com ela. Assim abriu a porta novamente.
- O que?
- Eu perguntei: O que vai fazer com o filme? – Gabriela disse voltando a olhar para as suas bonecas que estava penteando antes de Sabrina a atrapalhar.
- Vou assistir. Para ver sobre o que é. – disse Sabrina dando de ombros.
- Não! – Gabriela gritou subitamente, ficou de pé e agarrou a irmã.
- O que houve? – perguntou Sabrina incrédula com a reação da irmãzinha.
- Já ouviu aquela história do filme que depois de visto a pessoa morre em sete dias? – Sabrina balançou a cabeça com tom de desaprovação. – Não quero que você morra!

- Gabi. – disse Sabrina tentando se soltar do abraço da irmã. – Não vou morrer.
- Você me promete?
- Sim. – Gabriela olhou para Sabrina, isso a fez entender que deveria falar “sim eu prometo”, então ela prosseguiu. – Eu prometo.
Assim Sabrina, com um pouco de medo do que a irmã havia dito fosse verdade, colocou o filme para passar em sua pequena televisão.
O filme não tinha nada haver com o a tal superstição, era sobre um reino encantado chamado de Reino da Terra. Ele estava sendo dominado por um rei mau, que havia se apossado do trono logo que sua mulher desapareceu e não quis deixar o herdeiro legitimo, Eduardo, assumir o seu lugar de direito e o pôs para fora do castelo. Não explicava muito bem o porquê do rei não deixara o Eduardo reinar, Sabrina pensou que era por mero capricho do velho rei viúvo.
Depois de três anos o príncipe já era visto como um simples camponês, porem havia muitas pessoas que se rebelavam contra o rei, no meio desses tinha Nick. Um garoto de dezessete anos, loiro, forte, olhos azuis, que estranhamente a cor azul de seus olhos, tinham um tom igual ao da pedra de seu colar.
Depois de um tempo Sabrina acabou dormindo, porém acordou quando ouviu um estrondo dentro de seu quarto. Ela se sentou assustada, abriu os olhos e viu um menino. Não era um menino feio ou estranho, mas era belo e esbelto, como ela jamais vira um menino de sua idade ser. Ele a lançou ou olhar ardente, porém educado, mas como se quisesse beijá-la, mas se mostrando educado suficiente para conter-se. Alem disso Sabrina notou que mesmo estando vestido com roupas rasgadas e sujas, era um cavalheiro. Assim que viu que ela havia notado sua presença rapidamente fez uma reverencia. Ela estava pasma com a entrada do tal garoto em seu quarto que não conseguiu ficar de pé, referenciá-lo e dizer seu nome. Apenas fazer duas simples perguntas.
- Quem é você? Como entrou no meu quarto? – disse tentando não gaguejar, o que para seu estado era bem difícil.
- Sou Nick. Um camponês do Reino da Terra. – disse ele tentando ser o mais natural possível e tentando não olhá-la nos olhos, mas sempre acabava os encontrando.
- De onde? – isso não fazia nenhum sentido. Aquele reino era do filme, o filme que ela acabara de ver.
- Do Reino da Terra. - disse impaciente. - Precisamos de sua ajuda! – ele pegou a mão de Sabrina e a puxou sem esforço algum para fora da cama. O coração dela começou a palpitar.
- Precisa da minha ajuda para que? – sua pergunta parecia mais para si própria do que para ele, pois quase não se podia ouvir sua voz falha.