terça-feira, 28 de setembro de 2010

Parte 5








Já era meia noite, Nick e Sabrina estavam á frente da estante dela tentando achar a fita. Eles não conseguiram a achar durante os 30 minutos antes que procuravam.
- Eu a deixe bem aqui. – disse Sabrina apontando para a estante.
- Você pode ter posto em outro lugar. – Quando ele terminou de dizer lugar Sabrina teve uma idéia. A pior idéia que tivera hoje.
- Será que a Gabi pegou para.
Seu coração batia rápido de mais, ela saiu do quarto e foi em direção ao quarto de Gabi. Antes mesmo de abrir a porta ela ouvia a televisão falando. Abriu a porta de vagar, para se sua irmã estivesse dormindo não a acordasse.
Sabrina abriu a porta devagar, como se ela tivesse abrindo um portão de ferro, não queria descobrir que a irmãzinha tinha entrado no filme. De acordo com Nick ele não podia entrar, mas as crianças eram “sugadas” para dentro, querendo elas ou não. O quarto estava escuro, apenas se ouvia a televisão e a luz que ela fazia. “Não!” pensou Sabrina “ela esta vendo apenas desenhos” assim abriu o restante da porta. Olhou para todos os cantos do quarto a procura de Gabriela. Nada.
- Não! – disse Sabrina em um tom abafado. – Nick! Ela esta. Lá. Dentro. – disse apontando para o televisor.
- Temos que tirá-la de lá o mais rápido possível. – ele pegou na mão dela e foi para frente do televisor onde passava o “filme”. – Fale exatamente o que eu falar.
- Certo. – ela apertou a mão na dele.
- Agora diga. Nessa hora.
- Nessa hora. – sua voz estava tremula.
- Desejo estar no Reino da Terra.
- Desejo estar – ela engoliu um seco e continuou – No Reino da Terra.
- Minha missão começa agora, Déllo.
- Minha... Missão come-meça... Agora, Déllo.
Assim que Sabrina disse a ultima palavra eles apareceram no meio do povoado do Reino. Estavam vestidos iguais aos outros Nunkas, com uma roupa meio surrada e suja de poeira e terra. Sabrina, mesmo estando um pouco assustado com o que acontecera a pouco, olhava admirada todos as sua volta. Reparava em cada Nunka e o que cada um estava fazendo. Mas percebeu que a sua mão que estava na de Nick não estava mais tão quente. Olhou para a mão, Nick havia soltado e estava distante dela, como se Sabrina estivesse cheirando mal.
Nick a olhou e se aproximou rapidamente para explicar as coisas, mas logo voltou a se distanciar. Ele dissera que não podia haver contatos físicos entre os Nunkas fora da casa, um Nunka devia manter dois palmos de distancia de uma Nunka quando estivesse num local publico. Certo, ela entendera nada de demonstração de afeto em locais públicos. Isso era ruim, porque quando ficava perto de Nick não conseguia ficar sem tocá-lo e vise-versa. Mas de algum modo Nick se controlava melhor no Reino do que na Terra. Eles andaram pelo menos 20 minutos, pelo que Sabrina contara, até chegarem numa cabana um pouco longe do lugar que chegaram e onde havia vários Nunkas por todos os lados. Portanto lá deveria ser o centro, supôs Sabrina.
A cabana não é o que se chama de grande. Ela é pequena, mas é confortável e quente. Nela havia dois pequeninos quartos, um ao lado do outro, uma sala com lareira, um pequeno sofá, uma mesa e um fogão, pia, armário e uma pequena geladeira. Presumiu então, que deviam morar lá os pais de Nick e ele, óbvio. A casa tinha um cheiro maravilhoso de comida misturada com o cheiro das flores de jasmins que estavam em cima da mesa, ao lado de vários papeis, livros, lápis e varias outra coisas que estavam escondidas em baixou dos papeis e livros. Havia um bule no fogão que apitou de repente e fez com que Sabrina pulasse.
- Não se assuste. É só o bule. – Nick pegou o bule e um copo, pôs o chá no copo. Percebeu que Sabrina o fitava. – Quer?
- Não. – ela olhou para a lareira que estava acesa e sentou no braço do sofá pensativa. – Você mora com seus pais?
- Não. – ele pegou o copo e foi se sentar ao seu lado. – meus pais foram assassinados quando era apenas uma criança, digamos 5 anos na idade dos humanos. E agora moro com meus tios.
- Me desculpe. – Sabrina abaixou os olhos imediatamente, se sentindo culpada por fazer ele se lembrar daquilo.
- Não. – ele disse rapidamente para que ela não se sentisse triste - Tudo bem. Eles foram mortos pelos guardas do palácio, numa rebelião contra o “rei”. O que os faz uns heróis. – ele chegou perto dela e a puxou para seu colo. – Por isso quero que ele de o que é de direito para Eduardo.
- Entendo, o herdeiro legitimo, não? – Nick fez que sim - Temos que ir. – disse pulando para o chão - Minha irmã.
- Claro.
Ele se levantou, pegou um lápis e uma folha e deixou um recado para os tios e foram em busca de Gabriela.
Assim que passaram a porta ele se afastou novamente de Sabrina. Já era noite. Sabrina olhava maravilhada para o céu. Ela nunca havia visto um céu como aquele. Ele era completamente azul escuro, cheios de estrelas brilhando e uma lua cheia entre todas aquelas estrelas. Parecia até mágica. Parecia que ela estava numa pintura, mas conseguia sentir o ar ao seu redor.
- Nick, você já reparou que o céu é maravilhoso?
- Sim. – ele parou e olhou para o céu estrelado. – Quando meus pais ainda estavam vivos nós ficávamos observando o céu na noite de lua cheia. Meu pai acreditava que a noite de lua cheia, diferente dos outros, era uma noite, alem de mágica, dava sorte. Ele dizia que todas as noites de lua cheia, antes da rainha desaparecer, eles festejavam a noite. Cantavam, dançavam, namoravam.
- Namoravam? Não é proibido demonstrar afeto em publico?
- Não antes da rainha desaparecer. Ela gostava de ver como as pessoas se gostavam. Achava isso maravilhoso, principalmente amor de jovens. – os olhos de Nick estavam brilhando como uma estrela do céu.
- Minha avó também achava o amor jovem maravilhoso. Falava que era o amor mais puro de toda a nossa vida.
Eles não conversaram mais depois, só andaram e trocavam olhares de tempos em tempos. Já estava quase amanhecendo, Sabrina estava cansada e disse que precisava dormir um pouco. Nick avistou uma caverna e eles se sentaram dentro da caverna. Nick tirou dois cobertores de uma pequena mochila que trazia consigo. Estendeu uma ao lado da outra.
- E a coisa.
- Estamos numa caverna a milhares de quilômetros de uma civilização, estamos no meio do caminho. Não vai ter nenhum problema.
Ela se deitou olhando para fora da caverna para ver o amanhecer, mais uma vez estava fazendo algo que nunca pensara em fazer, ver o amanhecer junto a um garoto. Apoiou a cabeça no braço. Nick deitou-se ao lado de Sabrina, colocou um braço ao redor do corpo dela, para aquecê-la e apoiou a cabeça na mão e começou a brincar com o cabelo dela. Assim Sabrina dormiu, aconchegada aos braços de Nick.
- Sá! Vamos!
Sabrina foi acordada aos gritos por Nick.
- O que aconteceu?
- Sua irmã está em perigo. Ela está no castelo.
- Certo, vamos logo. Quanto tempo ainda demorará?
- 30 minutos.
- Certo, vamos.
Sabrina e Nick correram o mais rápido que puderam até a entrada dos fundos do castelo e conseguiram chegar em 30 minutos. Nick escondeu a mochila para não deixar rastros, pegou um uniforme de empregado e empregada na cozinha. Os dois se vestiram rapidamente. Ele pegou uma bandeja com umas comidas em cima e ela pegou um espanador. Assim eles se esgueiraram castelo adentro. Depois que chegaram a um local que poucos funcionários podiam entrar se livraram logo da badeja e do espanador e entraram escondidos. Nick ficava na frente e falava quando eles podiam seguir em frente. Em pouco tempo estavam a frente de uma sala envidraçada e tinha uma menininha lá dentro sentada numa cadeira.
- Gabi! – Sabrina ameaçou a sair correndo, mas Nick a barrou.
- Me espere! – ele levantou e saiu. Sabrina o ficou esperando durante 20 minutos, 20 longos e demorados minutos.
- Pronto, chamei reforços. – ele disse baixinho depois que voltara. – eles estão a caminho. Temos um plano. – Nick explicou o plano para Sabrina que logo concordou, mesmo não sabendo qual era o final. Ele não mencionou.
- Certo, mas como vou usar o Déllo?
- Bom, você irá descobrir por extinto. Espero.
- Eu também.
O plano era o seguinte. Quando eles disse guardas indo para o portão era o sinal para que ela pegasse a irmã e a colocasse em um local seguro em quanto ele e os outros rebeldes distraiam os guardas, e depois ela tinha que esperá-lo na caverna.
Tudo ocorreu certo, até Sabrina errar o local onde virar e acabou dando nos aposentos reais.
- Ora, ora! Que visita mais inesperada! – disse o rei pondo-se de pé.
- Carlo! – Sabrina parou, disse para sua irmã ir para a caverna.
- Mas Sá. – disse Gabriela cochichando. – Não sei como chegar. – Sabrina disse algo e logo apareceu um mapa em sua mão. Pura mágica. Sabrina agora entendia o funcionamento do colar herdado.
- Vá. – ela virou para falar com o Rei. – Carlo. Precisa devolver o trono a Eduardo.
- Esta maluca, Sabrina?
- Não, só estou tentando ser pacífica.
- Não vai adiantar. Terá que lutar comigo.
- Certo. – Sabrina já imaginava que isso aconteceria.
Horas se passaram, ainda ouvia-se o barulho da briga no pátio do castelo. Sabrina estava cansada, um pouco arranhada e alguns ferimentos leves, diferente do rei. Ele estava horrível, tinha ferimentos graves e leves no corpo inteiro. Sabrina se sentiu mal por telo ferido tanto, mas fora ele que pediu que isso acontecesse.